Campanha

A Campanha Gaúcha tem na alma do homem da terra, ligado à pecuária e à agricultura, a força motriz da região. É em suas coxilhas e planícies que os gaúchos campeiam o gado, sempre a cavalo, e se deixam absorver pelas lidas diárias.

A terra é vasta, uma imensidão, e o horizonte ao longe parece ser o único limite. Mas cada estância, cada fazenda é única. Há gerações, famílias cultivam no seu pedaço de chão os seus valores, onde o tempo segue o ritmo da natureza.

Um novo potencial

O terreno que se espalha também pelo Uruguai e pela Argentina garante uma cumplicidade com os hermanos do outro lado do Rio Uruguai. Os costumes se assemelham - do mate ao churrasco na grelha, ou a parrilla. O chapéu, a bota e a bombacha são comuns, e nas casas, os elementos locais emprestam rusticidade original: o cabo de osso das facas, o couro nos tapetes e sofás, a madeira, a tesoura de tosquia que ganha novas utilidades. Terra fértil e de gente apaixonada pela labuta, a Campanha Gaúcha é famosa pelo gado que produz, e exemplares de seus rebanhos estão entre os mais premiados do Brasil. O cavalo crioulo também traduz a excelência na área dos equinos. Na lavoura, um dos destaques é a cultura do arroz. Mas não é o único. No final da década de 1990, a Campanha descobriu outra característica: a de uma região pródiga para o cultivo de uvas viníferas. O clima seco e a grande amplitude térmica, eficientes na maturação das uvas e na boa concentração de açúcar, acaba por proporcionar vinhos finos, tanto brancos como tintos. Hoje o vinho da região já é reconhecido em todo o Brasil. A associação que o promove busca o selo de procedência, mas enquanto o processo ocorre, já trabalha para tornar a bebida cada vez mais conhecida e apreciada.

Uruguaiana

Uruguaiana está na divisa brasileira com Argentina e Uruguai, às margens do Rio Uruguai, na Campanha Gaúcha. A vida política, econômica e cultural ainda hoje guarda influências dos vizinhos de origem hispânica. É só atravessar o rio para mudar o idioma. Nos primeiros tempos, os laços eram mais próximos a Montevidéu e a Buenos Aires do que a Porto Alegre e a então capital brasileira, Rio de Janeiro.

Pioneirismo

A cidade tem uma forte ligação com a pecuária e o cultivo de arroz. Mas há uma história interessante e pouco conhecida: Uruguaiana foi pioneira no cultivo de uvas viníferas no Brasil. Era 1885, e a família Guglielmone produzia os vinhos mais finos do país, com uvas como a Pinot Noir. Prova de que o terroir é favorável, e o clima, outro aliado. Os dias de verão são rigorosos - é fácil a temperatura bater os 40ºC nos dias mais quentes. No inverno, o termômetro se inverte, e a mínima fica perto de 0ºC. A amplitude térmica é uma das características preponderantes das boas safras de uva.

Sossego

As planícies e coxilhas da Campanha Gaúcha conformam um terroir excelente para a produção de uvas. O conceito de terroir é muitas vezes relacionado ao vinho, o solo e o clima acabam por ser as principais características destacadas nesta definição. Mas terroir é mais, é uma identificação de origem, que abarca ainda conceitos sociais. Geografia, natureza, clima, umidade contam, claro. Mas o manejo das produções é preponderante no resultado final.

No ritmo da natureza

A 150m do nível do mar, as coxilhas e planícies de Uruguaiana, onde o clima de verão é seco e a amplitude térmica chega a 20ºC no verão - considerando-se os picos de máximas e mínimas em 24 horas, 15 das quais há insolação direta nas videiras-, acabam por provocar uma rápida maturação das uvas e grande concentração de açúcar. São características marcantes na produção de vinhos finos, complexos e intensos. Na Estância do Sossego, as mudas francesas de Cabernet Sauvignon e Chardonnay também se deram muito bem com o solo arenoso-argiloso. Próximas à barragem da propriedade, são protegidas do vento por uma barreira de árvores, plantadas especialmente para função. Junto às videiras, estão o gado e as pastagens da Estância. O pasto oferecido é também pensado segundo clima e geografia. No inverno, a produção é voltada a azevém e aveia, melhor adaptados ao frio. Já no verão, são usados capim sudão e sorgo, que se dão bem no calor. Mas como há secas em muitos anos, o campo é irrigado em 90 hectares por um pivô central, a fim de garantir pasto de qualidade e, por consequência, melhores carnes.

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